Wednesday, December 25, 2002

Não sei se estou mexendo em casa de vespa ao tocar nesse assunto, mas o Natal já passou, e a mensagem de hoje do Pr. Josafá me dá um bom suporte. Então vamos nessa:
“Eu não acredito em Papai Noel!”
“Claro, né, Vika!!!! Qualquer pessoa com algum contato com a realidade não acredita em Papai Noel!” vocês vão me dizer.
Não é isso! Eu não acredito que haja nada de bom sobre a idéia Papai Noel.. Acho que é nociva, especialmente aos filhos dos crentes.
Papai Noel é um velhinho bonzinho, de barbas brancas e bonachão que, na noite de Natal, corre o mundo inteiro entregando presentes às crianças que foram boazinhas durante o ano.

Então, pare pra pensar e raciocine comigo: Papai Noel nada mais é que um ser onisciente (sabe quem foi bom e mau durante o ano) e onipresente (corre o mundo inteiro num trenó voador em apenas uma noite!!! Um pouquinho demais, não?). Barbas brancas e jeitão de velhinho bonzinho é a imagem que mundo faz de Deus. Logo, Papai Noel -> uma espécie de super-herói -> um tipo de Papai do Céu.

Baseada nisso, entendo que o ensino dessa pequena lenda pode causar grandes prejuízos às pequenas mentes de nossas crianças.

“Grande coisa! Qual a diferença do Papai Noel para a Branca de Neve, a Chapeuzinho Vermelho ou outra historinha qualquer?” Você pergunta.

“Bem,” pergunto eu, “... quantas vezes você já ouviu alguém dizer ‘então um belo dia eu descobri que Chapeuzinho Vermelho não existia...’” Nunca!!!! Você nunca ouviu isso!!!! E sabe por quê? Porque ninguém ensina uma simples lenda como verdade!!! Nem mesmo o curupira ou o saci, lendas bem vivas em algumas comunidades, são ensinadas como verdadeiras, a não ser por quem realmente acredite nelas!

Por que ensinar que Papai Noel existe? Porque incentivar tal invenção sem lógica? Só porque é bonitinho? “oh, é tão bonitinho ver as criancinhas acreditado no Papai Noel do mesmo jeito que a gente acreditou quando era pequenininho... não é mesmo?” Não!!!! Não é MESMO!!!

O Papai Noel acaba entrando para o nosso imaginário como uma imagem de Deus. Uma imagem bem distorcida. Vemos Deus como aquele velhinho, bonzinho, bonachão, que a gente dobra e bota no bolso e faz o quer dele. Aí tudo desanda! Ter imagem de Deus é pecado. Ter uma idéia errada de Deus é idolatria. Por mais que um dia cresçamos e descubramos que nada daquilo era verdade, o estrago já foi feito, e oh, com poderia ter sido evitado se apenas algum pai cristão tivesse tido o bom senso de esclarecer a seu filho que tudo aquilo não passa de uma historinha sem sentido.
Pior, proclamada justamente no dia em que o mundo se propôs a celebrar o nascimento do Salvador. Natal não é Natal sem o bom Papai Noel. E como diz a canção “Eu pensei que todo mundo fosse filho de Papai Noel....”
vika 11 de dezembro de 2002

Friday, November 22, 2002

NO FUNDO DO MAR

Podem até dizer que eu vivo no passado, mas quem pode explicar o que se sente ao se passar quase todo dia em frente à casa onde se viveu tantos momentos preciosos de sua infância e ver que ela é hoje algo completamente diferente? Ao ver aquele quintal, que um dia pareceu que estaria ali para sempre, transformando-se em algo novo, sem a menor semelhança com o anterior?

Não pude deixar de sentir certo rancor pelos pedreiros que ali faziam seu trabalho com a maior naturalidade. Como podiam demonstrar tamanha indiferença pelo lugar que guardava momentos tão queridos meus!!! Como podiam??
"VOCÊS QUEREM FAZER O FAVOR DE PARAR COM ISSO!!!" Era o grito que surgia no coração e morria mudo nos lábios cerrados. Diante da magntude da vida em seu curso, que legitimidade teriam meus sentimentos? Eu seguia em frente, no mesmo passo calmo com que vinha, em direção a minha casa, sufocando o impulso de ir até lá e pular e gritar.

Ao ver, a cada novo dia, aquele lugar ser demolido aos pouquinhos, sentia como se algo muito precioso estivesse sendo arrancado de dentro de mim. Num dia eu ainda podia indentificar pedaços do piso, que imediatamente reportavam-me a um mundo de momentos. No dia seguinte, ao olhar a terra nua, senti que aquele era o primeiro dia de um processo que me faria esquecer completamente como era aquele lugar, e tudo seria muito mais difícil de lembrar.

Passar por ali cada dia e não mais reconhecer o pequenino quintal onde brinquei com meu irmão e meus primos, colori livrinhos e tirei foto vestida de roupa nova... não mais vislumbrar o quartinho onde me escondia, a janela de onde eu achava que sairia um monstro assustador no meio da noite.

Não mais reconheço, porque tudo veio abaixo; uma nova construção ali se ergue. Novas memórias serão ali vivenciadas, memórias que não as minhas.

O tempo é um grande inimigo dos momentos. Sejam eles bons ou ruins, o tempo encarrega-se de afogá-los no fundo de um mar invisível chamado passado, como ruínas de um navio. Lembram-me o Titanic, um dia tão imponente e majestoso, hoje dorme esquecido e silencioso lá no fundo do mar. Assim são os momentos. Quem olha a superfície do presente, calma e tranquila, jamais imagina que sob ele estão guardados mundos que existiram antes e foram tão fortes e devastadores. Alguns são lembrados, outros esquecidos, mas todos, igualmente, deterioram-se sempre mais.

Não sei porque, mas minha memória sempre me traz muitas lembranças de quase tudo que já vivi. É como um mergulhador que gosta de sempre voltar às ruínas por algum prazer mórbido. Por algum motivo o tempo que passou parece sempre melhor e mais bonito. Por algum motivo as memórias do passado parecem cercadas de uma aura que as torna especialmente belas. Por algum motivo, que não sei explicar, como a sereia ao pescador, o passado me atrai.
“Ah, que saudades que tenho
Da aurora da minha vida
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais
...
...
Oh, dias de minha infância
Oh, meu céu de primavera
Que doce a vida não era
Naquela risonha manhã...”(Casemiro de Abreu)
Léa Virginia on November 22, Feira de Santana.

Saturday, November 16, 2002

“TUDO QUE É SÓLIDO SE DESMANCHA NO AR"

A afirmação de Marx pode bem definir os últimos anos de minha vida. Às vezes paro para pensar na minha rotina. Se é que se pode chamar isso que vivo de rotina. Ou o que restou dela. Houve um tempo em que tudo em minha vida era bem definido, épocas e estações, fim de ano e Natal, férias. Eu sabia quando era verão, quando era São João, entendia o que vinha a ser o vocábulo férias e tinha um conceito definido de período de trabalho.

Houve um tempo na minha vida em tudo parecia ter uma época certa para ocorrer. Havia o tempo de ganhar presentes, o tempo de estudar, o tempo de comprar materiais novos, o tempo de ir à praia e sair com os amigos, o tempo de pensar só em provas finais e reclamar com as colegas que faziam pesca, o tempo de viajar com a família.

Hoje nada que se refira a tempo determinado para isso ou aquilo faz mais sentido. As férias não são exatamente férias, o fim do ano acadêmico ocorre no início do ano seguinte e o verão tornou-se apenas parte do ano letivo. As férias do trabalho nunca coincidem com as da faculdade que está eternamente repondo o atraso das greves ano novo a dentro.

Aquela linda festa de fim ano, aquela dos sininhos e das renas, na qual também lembramos algumas vezes do nascimento de Jesus Cristo... isso! O Natal!!!! Aquela festa há muito já perdeu seu encanto. "Outro Natal? Mas de novo? Outro amigo secreto? Presentes, presentes, presentes... E a programação? Sou eu quem faço outra vez?" AAAAAAHHHHHHH!!!!! Para esse bonde que eu quero descer!!!!

O que aconteceu? Aquela era uma época mágica quando, missão acadêmica do ano cumprida, exibindo um lindo boletim sem uma única mancha vermelha, eu descansava merecidamente o descanso dos justos, comia e regalava-me junto à família, ia à igreja na noite seguinte, cantava hinos natalinos, sonhava com as maravilhas do ano porvir, pasma com aquela capacidade que o tempo tinha de se repetir, e se repetir, e se repetir... ah, a rotina nossa de todos os anos, a segurança de saber mais ou menos como tudo deveria ocorrer! Sim, houve um tempo em minha vida que tudo foi mesmo assim.

Em minha inocência de estudante, eu sonhava em passar no vestibular. Verdade seja dita, eu não sabia bem pra quê, mas sonhava em passar. Sabia que tinha que passar. Afinal, bons alunos passam no vestibular, se formam em quatro anos, encontram bons empregos, casam-se, tem filhos, netos, e um dia (talvez os bisnetos cheguem antes desse dia) morrem. Sim, claro, a boa e velha rotina. Talvez alguns prefiram chamar de ordem natural das coisas, eu continuo chamando de rotina.

Hoje tudo parece etéreo, sem lógica, desconexo, como aqueles cubinhos do brinquedo “pequeno construtor” armados por uma criança de dois anos de idade. Parece inútil tentar rearrumá-los, colocar casa sobre casa, telhado ao lado de telhado, torres e pontes de forma sensata. Pois nada mais parece encaixar-se sem que todo o prédio venha abaixo.

Que diriam meus professores de escola se soubessem que a aluna modelo deles, continua na faculdade 6 anos depois de passar no vestibular?

É bem verdade que eu vivo um certo tipo de rotina semanal. Sei mais ou menos o que vou fazer cada dia da semana. Mais ou menos...? Como colocar isso? Eu tenho uma vaga idéia do que vou fazer e de onde vou estar, lembrando que esse é um schedule flexivel e mutante a cada 2 ou 3 meses, algo que eu prefiro chamar de espiral downhill. Hoje acordo em Salvador, amanhã em Feira. Leio a Bíblia com Joao Pedro e o levo à escola. Hoje escova, amanhã EBD. Hoje passo agua na farda do trabalho amanhã ponho de molho aquelas meias sujas... da semana retrasada??? Que vovó não o saiba!!! Se ela abre meu guarda roupa eu tou ferrada! "Ah... e aquela entrevista? Ligo pra você onde?" "Rapaz, liga pro meu celular e eu digo onde estou."

E então eu vou vivendo, empurrando essa não-rotina, porque não tem outro jeito mesmo, esperando que algum dia, algo restaure um mínimo de uma rotina definida, com períodos específicos para cada tipo de atividade, e ainda assim me pergunto “Será que quando isso acontecer, eu ainda vou saber viver daquele jeito?”

Wednesday, October 02, 2002

UM COMENTÁRIO SOBRE "THE FORTUNATE PILGRIM"

Terminei hoje de ler “The Fortunate Pilgrim” de Mario Puzo (O Poderoso Chefão), uma história bela e triste, e talvez o melhor livro que eu já tenha lido.

Certos trechos me deixaram incrivelmente deprimida, mas isso se deve ao fato de a hisória ter me arrastado para dentro dela de tal forma que eu me envolvi com a vida dos personagens como se eles fossem pessoas reais, meus conhecidos. Eu dormia e acordava pensando neles. Sofri, chorei e alegrei-me com eles. Amei-os e odiei-os.

A história atrai justamente porque analisa a vida. Eu gosto de pensar e escrever a vida, de interpretar o que está por detrás de cada palavra, cada gesto, cada olhar. Pois, como na vida real, cada um desses pequenos atos nunca está sozinho no mundo, nunca provém do nada, mas é fruto de toda uma história de vida, carrega todo um significado que resume quem você é, como você vê o mundo e o que esse mundo fez de você.

Assim, o livro de Puzo interpreta a beleza e a dor da vida, sua complexidade em seus melhores e piores momentos, mas acima de tudo em seus pequenos momentos: o dia-a-dia, o crescer, o amadurecer, o envelhecer, enfim, o viver. Mostra que nada é tão simples, fácil ou vazio, que cada pessoa é única e cheia de nuances. Se não conseguimos ver isso na vida real, o livro, como uma lente de aumento, nos faz ver que pessoas são seres históricos que amam, sofrem e lutam simplesmente para seguir em frente.

A história fala de uma família italiana que, no início do século XX, tenta a sorte na "América, terra da liberdade", mas ali só encontra decepções e desenganos.
Não é uma história verídica, mas é verdadeira ao falar da realidade comum a tantos imigrantes italianos da época. Então, antes de chegar ao livro, tenhamos uma breve noção de história: A Itália do início do século XX era um país divido, o norte passara por uma revolução industrial e desenvolvera-se, enquanto o sul continuou agrário e pobre, numa sociedade patriarcal, onde o homem mandava e a mulher não tinha voz, e o casamento era decidido pelo pai da moça.
A população do sul, analfabeta e faminta, tem dois destinos: ou torna-se mão de obra no norte, ou foge da miséria cruzando o atlântico atrás do sonho americano (EUA ou Brasil). O sonho dessas pessoas era simplesmente sobreviver, ter o que comer para si e para seus filhos, garantir a continuidade da família.

E é aqui que encontramos Lucia Santa, uma jovem mãe, viúva, analfabeta e só, numa terra estranha, tendo que falar uma língua estranha, e criar seis filhos em uma cultura que ela não entende e que lhe oferece estranhos sonhos de felicidade que sua filha Octavia pensa poder alcançar. Como crer na felicidade? E por que o nome do livro é “O Peregrino Afortunado”? Só lendo o livro e tentando entender.

Ah, o autor diz que inicialmente a história era sobre ele. Passei o livro tentando descobrí-lo,e creio ter tido êxito já no fim da história. Será que você descobre antes de mim?

Há muito mais o que ser dito, mas se eu começar a contar tudo, estrago a história.

Léa Virginia, 21 de setembro de 2002







A versão abaixo é a original, contém mais informações; é para quem não tem interesse de ler o livro, ou quer ler já sabendo o que vai acontecer:





UM COMENTÁRIO SOBRE "THE FORTUNATE PILGRIM"


Terminei hoje de ler “The Fortunate Pilgrim” de Mario Puzo (O Poderoso Chefão), uma história bela e triste, e talvez o melhor livro que eu já tenha lido.
Certos trechos me deixaram incrivelmente deprimida, mas isso se deve ao fato de a hisória ter me arrastado para dentro dela de tal forma que eu me envolvi com a vida dos personagens como se eles fossem pessoas reais, meus conhecidos. Eu dormia e acordava pensando neles. Sofri, chorei e alegrei-me com eles. Amei-os e odiei-os.
A história atrai justamente porque analisa a vida. Eu gosto de pensar e escrever a vida, de interpretar o que está por detrás de cada palavra, cada gesto, cada olhar. Pois, como na vida real, cada um desses pequenos atos nunca está sozinho no mundo, nunca provém do nada, mas é fruto de toda uma história de vida, carrega todo um significado que resume quem você é, como você vê o mundo e o que esse mundo fez de você.
Assim, o livro de Puzo interpreta a beleza e a dor da vida, sua complexidade em seus melhores e piores momentos, mas acima de tudo em seus pequenos momentos: o dia-a-dia, o crescer, o amadurecer, o envelhecer, enfim, o viver. Mostra que nada é tão simples, fácil ou vazio, que cada pessoa é única e cheia de nuances. Se não conseguimos ver isso na vida real, o livro, como uma lente de aumento, nos faz ver que pessoas são seres históricos que amam, sofrem e lutam simplesmente para seguir em frente.
A história fala de uma família italiana que, no início do século XX, tenta a sorte na "América, terra da liberdade", mas ali só encontra decepções e desenganos.
Não é uma história verídica, mas é verdadeira ao falar da realidade comum a tantos imigrantes italianos da época. Então, antes de chegar ao livro, tenhamos uma breve noção de história: A Itália do início do século XX era um país divido, o norte passara por uma revolução industrial e desenvolvera-se, enquanto o sul continuou agrário e pobre, numa sociedade patriarcal, onde o homem mandava e a mulher não tinha voz, e o casamento era decidido pelo pai da moça.
A população do sul, analfabeta e faminta, tem dois destinos: ou torna-se mão de obra no norte, ou foge da miséria cruzando o atlântico atrás do sonho americano (EUA ou Brasil). O sonho dessas pessoas era simplesmente sobreviver, ter o que comer para si e para seus filhos, garantir a continuidade da família.
Daqui sai Lucia Santa. Seu pai, muito pobre, arranja-lhe um marido, mas alega não poder dar o dote. Que grande desonra para uma jovem! Lucia parte com seu marido para a América. Ele dá-lhe 3 filhos e morre. Lucia casa-se novamente e ganha mais 3 filhos.
E aqui encontramos Lucia Santa, uma jovem mãe, viúva, analfabeta e só, numa terra estranha, tendo que falar uma língua estranha, e criar seis filhos em uma cultura que ela não entende e que lhe oferece estranhos sonhos de felicidade que sua filha Octavia pensa poder alcançar. Como crer na felicidade?
Octavia não entende o conformismo da mãe. Nós também não entendemos Lucia e temos pena de tanto sofrimento. Veio à América em busca de uma vida melhor e só encontra desgraças.

“Eu quero ser feliz!” Octavia protesta. Ao que sua mãe responde “Garota tola! O que você sabe da vida? ‘Quero ser feliz.’ Graças a Deus você está viva.” O dilema interno de Octavia é querer ser uma boa filha italiana, viver em um lar italiano, mas, nascida e criada na América, nutrir em seu coração sonhos que o seu país lhe ensinou possíveis para ela e sua família. Como harmonizar dentro de si essas duas nacionalidades, americana e italiana, com perspectivas de vida tão diferentes? Uma crê em finais felizes, outra crê somente na vida.

Para melhor entender Lucia imagine que um dia teu filho olhe para você e diga-lhe o quanto ele te odeia por não deixar-lhe voar, o quanto ele despreza o teu conformismo em usar os pés para mover-se. Ele quer criar asas, não um aparato qualquer, mas asas de verdade, e crê que pode realmente voar. “Enlouqueceu,” você irá pensar; e se ele persistir na loucura, talvez pense em castiga-lo por tal blasfêmia. “Dê graças a Deus por ter pés saudáveis, menino!” Você diria. Pois bem, para Lucia Santa “Felicidade é um conto de fadas que toda mulher deve perder.” Lucia Santa simplesmente não crê na felicidade que a América diz-lhe ser possível.
E por que o nome do livro é “O Peregrino Afortunado”? Só lendo o livro e tentando entender.
Ah, o autor diz que inicialmente a história era sobre ele. Passei o livro tentando descobrí-lo,e creio ter tido êxito já no fim da história. Será que você descobre antes de mim?
Há muito mais o que ser dito, mas se eu começar a contar tudo, estrago a história.
Léa Virginia, 21 de setembro de 2002

Monday, September 02, 2002


COMUNHÃO vs AMIZADE

Ontem na EBD, Del falou uma coisa, e eu quis fazer um comentário, mas acabou o tempo. Deixa eu aproveitar agora. Eu entendi o que ele quis dizer, realmente não dá pra se ter algum tipo de amizade com pessoas que não compartilham dos mesmos interesses que a gente. Uma colega de trabalho outro dia me perguntou uma coisa nesse âmbito – “O fato de vc ir à igreja e não fazer certas coisas, ou não ir a certos lugares não limita muito seu círculo de amigos?”, bom eu disse pra ela o seguinte – “O simples fato de eu virar a direita e não à esquerda já limita meu círculo de amigos. O fato de eu escolher trabalhar no CCAA e não no Fisk, o fato de eu escolher ser professora e não engenheira ou bióloga, o fato de eu trabalhar no Imbuí e não na Lapa. Todos esses tipos de escolhas (ou mesmo imposições) da vida, limitam o número de pessoas com quem nos relacionamos ou com quem teremos afinidades. Isso é normal, faz parte da vida. Se estou num ambiente onde todos pensam e se comportam totalmente diferente de mim, é lógico que não dá pra ter muita aproximação. São os interesses em comum que atraem e conectam as pessoas. Não vou querer ter um amigo que só quer ir nos lugares que eu não vou, fazer coisas que não me sinto bem fazendo, ou ver filmes que eu não suporto. Ou um dos dois lados abre mão ou não se tem afinidade. Não é assim que qualquer pessoa escolhe seus amigos?”
Eu já tive uma grande amiga que não era crente - Iracema. Aquele tipo de amiga que vai dormir na sua casa nos fins de semana ou em véspera de prova. Líamos poesia até altas horas da madrugada, trocávamos confidências até. Ela nunca quis saber do Evangelho, apesar de sempre me ouvir falar do que dizia a Bíblia. Mesmo assim nossas formas de pensar sobre certas coisas, nossos comportamentos e nossas preferências eram bastante parecidos, isso viabilizou nosso relacionamento. É claro que eu ralhava com ela quando a via preparando a pesca para a prova de biologia, hehehe.

Bom, nossas vidas tomaram rumos bem diferentes, eu fui pros States, ela foi fazer direito em Alagoas e depois em Ilhéus (UESC), a gente tem pouco contato hoje, não sei se faríamos tanta coisa juntas, não sei direito o quanto mudamos. Mas creio que o carinho que temos uma pela outra continua o mesmo.

Como não peguei o início da aula fiquei sem querer fazer um outro comentário – Será que o conceito de comunhão está correto? Tem uma irmãos nossos numa igreja lá no interior do Ohio. O que vc tem a ver com eles? Eles gostam de beisebol e vc de futebol. Eles comem hambúrguer e vc feijoada. Eles amam o 4 de julho e vc o 7 de setembro. Eles se vestem diferente, pensam diferente, brincam diferente. E pior, eles nem nos conhecem!!!! Temos comunhão com eles?

Sunday, September 01, 2002

PANIS ET CIRCENCIS

Tudo bem, o Brasil ganhou. Antes que vocês me crucifiquem, é claro que o futebol é gostoso e envolvente. Embora pra mim seja esporte de homem, não tem como não se emocionar assistindo.

Sou uma torcedora vira-folha, só sou corintiana quando o Timão ganha, e torço pro Palmeiras em caso de emergência (no meio da Mancha Verde). Mudo de time pelo mesmo motivo que o camaleão muda de cor. Acho isso cabível pelo fato de eu ser mulher.

Mas gente, tem coisas que eu não engulo. Por que é que o brasileiro só lembra que é brasileiro em Copa do Mundo?

E por que ninguém se lembra mais de nada nessa época?

A Copa do Mundo é um elemento poderoso de alienação amado pelo nossos governantes corruptos. O país está no buraco, e povo está rindo a toa. É por que o brasileiro é um povo alegre??? Patavinas!!!! É porque o brasileiro é um povo manipulável ao extremo! Nós não lutamos por nada, não acreditamos em nada, e qualquer joguinho de futebol nos faz esquecer tudo.

PANIS ET CIRCENCIS, a história se repete. E já diz meu amigo Jeremy Wood:
“Se há algo que nós aprendemos com a história,
é que nós NÃO aprendemos com a história.”

Respondo à pergunta de Dani – se minha mãe fizesse algo errado (recebesse um suborno), eu ficaria contra ela para sempre? Não, mas teria muita dificuldade em acreditar na integridade dela outra vez. Como minha mãe mesma diz, “Confiança é algo que se leva uma vida para ganhar, e só um segundo para perder.”

Volto a repetir, sou brasileira 365 dias/ano, minha bandeira está sempre estendida em meu quarto. Não sou como uns e outros que compram bandeirinha enquanto a seleção está jogando, pra criar mofo pelos próximos 4 anos. Não é um grupo de 11 jogadores vestidos de azul e amarelo que vai me fazer mais ou menos brasileira.

Ah, e quero ir morar no EUA sim, se for da vontade de Deus. Porque quero uma vida melhor. É um país que amo por causa das pessoas que conheci ali e da forma como eles organizam sua vida. Mas nunca vou negar minhas origens, minha bandeira vai comigo pra onde quer que eu vá.

Tuesday, August 27, 2002

Permitam-me retomar aquele assunto do suicídio. É que já não tenho muito certeza da minha própria opinião.

Conlcuimos que o suicídio não é condição determinante para qu uma pessoa vá para o inferno, uma vez que se Cristo morreu por meus pecados, morreu por todos eles, e me salvou de uma vez por todas, logo se eu morrer sem confessar um pecado, como é frequente no caso de suicídio, não vou para o inferno por causa disso.

Bem... a questão que se levanta então não é: "Se vc se mata não pode ir pro céu?" frase dum filme velhão chamado "O 18º anjo"
Mas ... "um crente chegaria ao ponto de cometer suicídio?" Já havia conversado com Leo sobre o assunto várias vezes, e sempre pensamos que sim.
Mas veja: porque alguem se mata?
É um ato de coragem ou de covardia extrema? (covardia - tem tanto medo da vida e de seus desafios, que desiste dela no meio do caminho/// coragem - ao concluir que a única solução viável para seus problemas é a mais dolorosa - abdicar da única vida que tem - mesmo assim leva a idéia adiante)

Pergunto isso porque uma vez conversei com uma menina na internet. Ela estava arrasada pois sua melhor amiga tinha se matado. Me perguntou se só por causa disso ela estaria no inferno. Bom, eu respondi o que leva pessoa ao céu ou ao inferno. Mas o que ficou me martelando na cabeça foi a mesma pergunta que o mocinho do filme "Titanic" fez 'a mocinha: "O que levou essa moça a achar que não havia outra solução?" Será que um crente chegaria à mesma conclusão?

Por que ela não compartilhou com sua melhor amiga a angustia porque passava? O que vai na cabeça das pessoas quando elas entendem que dar cabo à propria vida é a única alternativa viável? E por que sempr que descobrimos que algo não ia bem já é tarde demais? É um sentimento de impotência terrível ouvir de alguém que vc se considera íntimo "Já pensei em suicídio." É como se explodisse uma bomba atômica em sua cara. O que foi que eu não fiz? O que foi que eu não disse? Quando foi que eu deixei de ser confiável?

Sempre me preocupa ver uma pessoa, outrora falante, meio quieta, com cara de triste, sabe? Pensando na morte da bezerra. Sempr me preocupo ao olhar pra pessoas que estejam passando por algum tipo de problema, e às vezes estão sorrindo como se tudo fosse bem. Como sondar as loucuras que passam lá dentro, nos quartinhos do coração onde só elas tem acesso e onde fica escondida toda a bagunça da casa?

Mas no caso de um crente, se Jesus tem acesso a esses quartinhos em seu coração, por que essa pessoa chegaria a tal consequencia? Por que ela não encontraria em Jesus a solução para seu desespero?

O crente pode chegar ao ponto de se suicidar se sabe que Cristo é a solução?


Esse texto aqui foi enviado à lista, mas niguém nunca me respondeu. Despois eu o editei e e publiquei na primeira edição do JUMP, o que me rendeu alguns elogios. Eis a versão na íntegra:
De conversa travada na última viagem da UMP surgiu a necessidade de escrever esse texto. Creio ser esse um assunto importante, e o e-mail é a melhor forma de levar a discussão ao grupo. Registro aqui apenas minha visão pessoal, mas baseada em muita leitura, depois de vagar pelos mais variados pontos de vista durante minha vida. Espero que quem vier a ler esse texto, pense sobre o que ele realmente fala antes de descartá-lo. Não é uma mensagem contra a diversão, é antes de tudo a favor do glorificar a Deus em todas as áreas de nossa vida.

Tenho que confessar que não me senti muito confortável em saber que um pregador afirmou algo que me parece tão absurdo numa concepção verdadeiramente bíblica do que seja o namoro. “É bom namorar o maior número de pessoas possível, contanto que o namoro seja santo.” (Foi isso mesmo, ou entendi tudo errado?)

As perguntas que ficaram martelando em minha cabeça desde então foram: “O que afinal ele entende por um namoro santo?”; “Como alguém pode conciliar a idéia de que é bom que eu tenha o máximo número de namorados possível com a condição ‘desde que eles sejam relacionamentos santos’?”

O que pode ser considerado um namoro santo, senão aquele no qual duas pessoas consideram seriamente a viabilidade de um casamento entre elas? Um namoro que, sabendo que até esse dia aquelas duas almas não se pertencem, busca guardar os corpos e corações de ambas durante esse relacionamento. De posse desse conceito vemos que o namoro tem um objetivo claro, e com implicações no âmbito sexual. Há algo mais aqui que “Não faça sexo” e “Só namore com crente.”

Quando namoramos, damos parte de nosso coração. Compartilhamos sentimentos e criamos esperanças; sonhamos com a possibilidade de um futuro em comum, de sermos não mais dois, mas um coração apenas, batendo em louvor ao Senhor que nos uniu. Se um namoro chega a um fim, tais sentimentos são frustrados, deixando marcas que ficarão impressas em nós pelo resto da vida.

Admitir a idéia de que um número considerável de namorados possa ser sadio emocional e espiritualmente? Ou que possa fazer-me amadurecer mais que um único namorado? Pense em colar uma folha de papel em outro e então descolá-lo, e repetir isso em diversos papéis até chegar ao definitivo. A folha então já estará tão cheia de pedacinhos de outros papéis, que nosso trabalho não ficará tão belo quanto se tivéssemos sido mais cuidadosos.

Se cremos que Deus separou alguém especial para nós desde a eternidade, porque sair atirando para todos os lados, pra ver o que cai primeiro? Correndo o risco de ferir tantos outros no meio do caminho.

É claro que Deus pode restaurar, transformar nossos mal-feitos em algo lindo (e freqüentemente o faz), mas nem sempre Ele remove as conseqüências. Um adúltero, por exemplo, terá que conviver com um filho bastardo para o resto da vida, mesmo tendo sido perdoado e tendo seu casamento restaurado. Então por que não buscar fazer o certo desde o início?

Não estou dizendo que seja pecado terminar um namoro, mas se o objetivo dele estiver claramente definido, e também seus limites, a atitude em relação a ele também será clara. Não se começará um namoro levianamente. Se ele não vier a terminar em casamento, ambos os lados poderão sair dele de cabeça erguida, e consciência limpa para com Deus e para com seus futuros cônjuges.

Se o objetivo do meu namoro é simples diversão, aproveitar o tempo juntos por si só, ou (estranho conceito) “amadurecer”, então ele não passa de fornicação e egoísmo. Alguém sairá dali seriamente machucado, sentindo-se enganado. Já vi isso de perto – não é algo bonito. Se você namora para a)passar tempo, b)esquecer outro amor, c)fazer ciúme em outra pessoa, você está usando aquela pessoa, brincando com um coração que não é seu por direito.

Por que ao invés de nos tornarmos “serial namoradores”, não criamos amizades sólidas com irmãos de ambos os sexos? São tais amizades que nos farão amadurecer. Por que jogar o mesmo jogo dos ímpios, onde ninguém sabe direito o que fazer? Como cuidamos dos nossos irmãos desse jeito? E por que não guardar nossos corações somente para aquele que por direito divino o possuirá por completo um dia?

J.Harris disse sabiamente que “quanto mais tiramos do namoro, mais damos ao casamento.” Daí provem minha decisão pessoal de guardar meu primeiro beijo para aquele que será meu marido. Quero dar a ele e à nossa união esse presente. Todo homem (e mulher) gosta de ser o primeiro, e deseja ser o único.

Não posso querer fazer disso uma regra, mas quero deixar claro o parâmetro: qualquer coisa relacionada a sexo e a sentimentos deve ser tratada com toda seriedade e justiça, como Deus o trata. Os objetivos não devem ser confundidos – para um crente o namoro deve ser um período de teste e consideração séria sobre o casamento, não simplesmente porque quero companhia para ir ao cinema. As definições não devem ser confundidas – se quero que alguém me ajude a crescer devo buscar “amigos”; se quero um casamento, devo buscar com cuidado um(a) “namorado(a)”.

Nossas emoções são boas, se guiadas pela razão que busca sempre o bem do outro. Antes de iniciar um relacionamento pergunte-se: “Qual o meu objetivo em começar esse namoro? Tenho o direito de dar esperanças a essa(e) moça(o) se não tenho a intenção de realizá-las? Ou estou fazendo-a(o) perder seu tempo?”

O namoro é um privilégio de nosso tempo. A possibilidade de escolhermos por nós mesmos com quem vamos nos casar nem sempre foi dada aos jovens. Usemo-lo com sabedoria e na hora certa, e assim guardaremos os corações um do outro até o dia em que eles possam pertencer-se por completo.

Léa Virginia Andrade, 22 de abril de 2002.






BOM BAIANO

Caros Paulistas:

Numa dessas belas noites de lua cheia, uma dessas bem bonitas que só se vê na Bahia, pus-me a tentar entender a origem do equivocado termo paulista "baianada".

Conclui que isso poderia ser fruto de uma ignorância que deve ser inerente ao espírito paulista, pois, como todos na Bahia já sabem, "baiano burro nasce morto".

Mas lembrei-me de que toda conclusão deve ter sido antes baseada em observação de fatos. Ora, é possível, é claro, que com o avanço tecnológico de nossos dias alguns desses fetos destinados a morte natural tenham sido salvos e chegado um dia a ver a luz.

Se tal fato ocorreu realmente, essas pobres almas deslocadas vagaram errantes pela Bahia e foram obrigadas a migrar para São Paulo, onde acharam guarida ao encontrar pessoas de capacidade mental muito semelhante à sua.

Quanto a todo o resto dos baianos, os nascidos por merecimento natural, estes optaram por permanecer brilhando no palco de sua boa terra. Afinal é notório o fato de baiano não simplesmente nasce, estréia.
TOU TLISTE

Tou muito triste. Acho que vou ter que largar minha faculdade de Letras da UEFS, pelo menos nesse semestre. é que não estou dando conta da única matéria que estou fazendo na UFBA, e vou precisar de mais tempo livre pra ir atrás de matérias pro jornal. Tempo esse que só pode ser encontrado filando as aulas da UEFS.

É aquela velha história das prioridades. É claro que eu gosto muito mais do meu curso de letras, mas... EU PRECISO ME FORMAR! EU TENHO QUE ME LIVRAR DA FEDERAL DE QUALQUER JEITO! EU NÃO POSSO FICAR VELHINHA CAQUÉTICA, DE BENGALINHA NA MÃO TENTANDO ME FORMAR NA FEDERAL!

Ai, que dor no coração. :´-(
BELEZA vs INTELIGÊNCIA

Tchurminha: antes que eu me esqueça, ouvi Breno falando uma coisa interessante domingo aqui em casa "Mulher bonita não tem que ser inteligente, mas se for feia, precisa ser inteligente." Foi algo assim, né?

Acho que essa idéia (que é bem comum hoje em dia) tem origem lá na grécia antiga. TOu lendo o Mundo de Sofia (recomendo), que fala sobre a historia da filosofia. Olha só: na grécia o belo estava associado ao verdadeiro (a palavra bonita, vem do latim bonitas - bondade). Aí veio Sócrates, que era feio de doer, fazendo com que as pessoas questionassem isso, mostrando que a verdade não era necessariamente a beleza estética, e que o pensamento e o questionamento era mais importante.

Em resumo, a exaltação da inteligencia e do exercicio do pensar vem dos esteticamente feios, porque nao podem se valer de sua aparencia física para conseguir coisíssima nenhuma - Eh, dor de cotovelo!!!!!HAHAHAHAHAHAHAHAHAHA!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Tou brincando, na verdade acho que a beleza está nos olhos de quem vê. Como eu já disse , homem bonito pra mim, é só o homem que eu gosto.

FUI!!!!